A resposta está na esquerda
É óbvio que o futuro está na esquerda, ou seja, no socialismo democrático. Mais precisamente, entre nós no PS.
O comunismo e o neoliberalismo são o verso e o reverso da mesma concepção.
Fundamentam-se na visão materialista do ser humano. O comunismo, ao negar a liberdade individual exacerbou a economia e o neoliberalismo fez o contrário, com os mesmos resultados. Ambos com a mesma lógica.
No comunismo, negando-se o mercado e planificando-se a economia.
No neoliberalismo endeusando-se o mercado e rejeitando-se a planificação. Hoje sabem-se os resultados.
O comunismo, roído por contradições miseráveis implodiu. O neoliberalismo acossado por desfazamentos gerados pelo próprio mercado, faliu. Um fez cair um muro da divisão. Outro fez cair-nos o tecto da união.
Ambos pretenderam fazer-nos acreditar que a garrafa estava meio-cheia. Ou meio vazia.
O que é verdade é que jamais poderia estar cheia.
Há óbvias consequências dos falhanços em que devemos seriamente meditar.
A primeira delas é que, como se viu, os números não têm alma.
Já nos haviam dito isso por outra forma ao invocarem que as pessoas não são números.
O resultado da falência do neoliberalismo estava nos próprios números se os quiséssemos ler para além das estatísticas.
É que à data do inicio desta crise, que é estrutural, logo profunda e duradoura, os activos bancários que diariamente nos iam sendo atirados, representavam nada mais nada menos de que 3,5 vezes todo o PIB mundial.
A euforia da engenharia financeira e o endeusamento do mercado em que vivíamos, com a direita a marcar o tom da ganância parecia imparável.
De tal forma que alguns dirigentes que se reclamavam do socialismo democrático, na Europa, com Blair á cabeça, renderam-se aos novos ventos da moda.
Sem cuidar de verem que como qualquer moda aquela também seria passageira. Porque sem consistência para ficar.
A pouco e pouco assistimos á ausência da Internacional Socialista até parecer ter ficado mesmo sem voz.
O que não é nada positivo. E não é porque, como salta á vista desarmada, o futuro, aquele que conjuga a defesa da liberdade individual com a economia e ambas com o mercado regulado pelo Estado, também este prestador de serviços, onde a justa repartição de riqueza, a igualdade de oportunidades, o acesso á justiça e á saúde, a defesa da paz, da segurança e a transparência sejam uma realidade, está no socialismo democrático.
Sucede que este futuro depende de nós e o resultado do combate a travar não está decidido.
A direita, como se vê, consciente disso mesmo exige hoje com um mão aquilo que negava ontem com a outra.
Basta vê-la em azáfama constante a reclamar a intervenção do Estado a cada passo, quando ontem defendia o princípio de que a menos Estado correspondia melhor Estado.
A direita é como os gatos, tem sete fôlegos.
Que não haja ilusão sobre isso.
É óbvio que o futuro está na esquerda, ou seja, no socialismo democrático. Mais precisamente, entre nós no PS.
Parece haver poucas dúvidas na sociedade sobre isso.
É preciso que essas duvidas se convertam em certezas.
Como sempre defendi, este objectivo depende do aprofundamento que fizermos do nosso ideário, em prol da defesa das causas do socialismo democrático.
Estas são razões bastantes para ter sido primeiro subscritor de uma Moção Sectorial que apresentei ao Congresso, chamando a atenção que a revisão dos nossos Estatutos não é uma questão meramente administrativa nem deve nunca ser vista como tal.
A revisão dos Estatutos é uma questão que está na essência do aprofundamento do quadro do nosso ideário para que os militantes tenham orgulho em pertencem ao PS e não serem apenas filiados nele.
Tanto mais que os partidos são os pilares da democracia e o fortalecimento desta depender, em muito do reforço e da credibilização dos partidos. Daí ao dever do PS contribuir para este objectivo, como partido estruturante da democracia portuguesa.
Os partidos não se confundem com movimentos de cidadãos, necessariamente conjunturais e inorgânicos por natureza.
É pelo reforço dos partidos que se reconstrói o futuro porque os novos desafios do mundo de hoje exigem novas respostas que são ideológicas. E obviamente de esquerda.
Vitor Ramalho – Acção Socialista


Publicado por: Raimul às 00:02 de 24.03.09
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